arqueologia

A Torre Centum Cellas antigamente também chemada de Torre de São Cornélio é um curioso e singular monumento lítico situado na fregesia do Colmeal da Torre, concelho de Belmonte. Actualmente as ruínas, têm, despertado as atenções de todos, suscitando as mais diversas teorias e gerando-se à sua volta as mais variadas lendas.
Umas dessas tradições refere que teria sido uma prisão com cem celas, daí derivando o nome Centum Cellas, onde teria estado cativo São Cornélio, razão porque também é conhecida pelo nome de Torre de São Cornélio.

1-

Designação –  Casal da Poeja

Tipo de Sítio – Casal rústico 

Período – Romano

Local – Poeja, Maçaínhas

Descrição – Numa plataforma de encosta no vale de uma pequena linha de água, reconhecem-se alguns fragmentos de cerâmica de construção (tegulae e imbrices), cerâmica comum doméstica e mós circulares, distribuídos por uma área com cerca de 2000 m2 de terreno.

 

 

2-

Designação – Sítio da Tapada da Vinha

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Tapada da Vinha, Colmeal da Torre

Descrição – Terrenos agrícolas, com diversificados vestígios de superfície (cerâmica de construção e doméstica, elementos arquitectónicos, escórias de estanho, vidros, moedas, etc) dispersos por uma área relativamente grande, que foi atravessada pelo actual caminho de acesso, e em cujos cortes dos taludes se podem observar estruturas com grandes silhares bem aparelhados.

 

 

3-

Designação – Casal da Quinta do Pessegueiro

Tipo de Sítio – Casal

Período – Romano

Local – Quinta do Pessegueiro, Maçaínhas

Descrição – A estação arqueológica encontra-se localizada num terreno plano, e foi sensivelmente destruída com a construção de uma represa. Dispersos pelos terrenos anexos ainda se observam fragmentos de cerâmica doméstica e de construção. É referida a existência de pedras aparelhadas, de um peso de lagar e de uma mó circular dormente.

 

4-

Designação – Castelo de Belmonte

Tipo de Sítio – Castelo

Período – Medieval / Moderno

Local – Belmonte

Descrição – Construção militar medieval, com torre de menagem e recinto amuralhado. De acordo com as escavações realizadas, o castelo terá sido edificado nos finais do século XII ou inícios do século XIII, integrando um pequeno núcleo populacional. Nos finais do século XV, o castelo sofreu importantes remodelações, tendo sido transformado em residência senhorial fortificada da família Cabral.

 

 

5-

Designação – Sepulturas da Quinta das Vinhas

Tipo de Sítio – Necrópole

Período – Medieval

Local – Local situado próximo da estrada que faz ligação a Caria.

Descrição – Necrópole formada por 3 sepulturas escavadas na rocha.

 

 

6-

Designação – Sepultura do Chão Roxo

Tipo de Sítio – Sepultura

Período – Medieval

Local – Localizada nas proximidades da Fonte Soldado.

Descrição – Sepultura escavada na rocha.

 

 

7-

Designação – Fonte do Soldado

Tipo de Sítio – Fonte

Período – Romano

Local – Junto à estrada que liga Belmonte a Caria

Descrição – No local é possível observar uma fonte, a qual é uma estrutura bastante interessante escavada no afloramento rochoso. Junto a esta, em terreno agrícola, é possível reconhecer vestígios cerâmicos (tegulae e imbrices) e escória à superfície.

 

 

8-

Designação – Núcleo medieval da Quinta das Minas

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Medieval

Local – Quinta das Minas, Belmonte.

Descrição – A estação arqueológica corresponde a uma área de dispersão de fragmentos diversos de cerâmica de construção, de tipologia e cronologia Alto-Medieval, bem como cerâmica comum, reveladores de um casal rústico, associado a 3 sepulturas escavadas na rocha e a uma pia nas proximidades.

 

9-

Designação – Villa da Lage do Tostão

Tipo de Sítio – Villa

Período – Romano

Local – Lage do Tostão, Belmonte.

Descrição – Possível villa romana com cerca de 4ha, com abundante cerâmica de construção e cerâmica comum visível à superfície, assim como alguns elementos de mó. São também visíveis elementos arquitectónicos em granito.

Notas – Área próxima do troço viário que se encontra perto, a uma cota mais baixa.

 

 

10-

Designação – Vestígios Diversos da Quinta da Marrada

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Quinta da Marrada, Belmonte.

Descrição – Foram encontrados materiais de construção romanos dispersos por uma vasta área, assim como fragmentos de colunas e mós manuais. Foi recolhida no local uma coluna de granito.

 

 

11-

Designação – Vestígios Diversos da Casa da Torre

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Medieval

Local – Caria

Descrição – Edifício construído no século XIV, conforme inscrição situada junto à porta de arco quebrado (nas traseiras), a qual refere que foi construído em 1322, por ordem do Bispo da Guarda. Este terá desempenhado as funções de atalaia e residência de campo dos Bispos da Guarda.

Notas -  Imóvel de Interesse Público.

 

12-

Designação – Sítio da Quinta do Cameira

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Freguesia de Caria, próximo da estrada que liga Monte do Bispo à Capinha.

Descrição – Estação destruída para a construção de uma barragem agrícola, com vestígios cerâmicos (tegulae e imbrice).

 

 

13-

Designação – Anta da Quinta da Anta

Tipo de Sítio – Anta 

Período – Megalitismo / Calcolítico 

Local – Freguesia de Caria, perto da estrada para a Capinha.

Descrição – Anta, com câmara e corredor, sem chapéu, conserva ainda uma parte da mamoa.

 

 

14-

Designação – Sítio das Pardinas

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Freguesia de Caria, próximo da aldeia de Monte do Bispo

Descrição – Pequena área agrícola com vestígios cerâmicos de superfície (tegulae e imbrices).

 

 

15-

Designação – Sítio da Tapada do Pinto

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Freguesia de Caria, próximo da Aldeia de Monte do Bispo.

Descrição – Foram identificados no local, vestígios cerâmicos de superfície (tegulae e imbrices), assim como um peso de tear.

 

 

16-

Designação – Sítio das Barrentas

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Freguesia de Caria, próximo da aldeia de Monte do Bispo

Descrição – Pequena área agrícola com vestígios cerâmicos de superfície (tegulae e imbrices).

 

 

17-

Designação – Povoado de São Geraldo

Tipo de Sítio – Povoado

Período – Idade do Bronze Final

Local – Toca da Moura, Caria

Descrição – Povoado localizado no Monte de S. Geraldo, com dois núcleos de ocupação distintos. Um situado no extremo Sul da elevação e outro na vertente Sudoeste. Foram identificados fragmentos de cerâmica manual, nomeadamente fragmentos de fundo e bordo. 

 

 

18-

Designação – Sítio da Vilela

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Romano

Local – Freguesia de Caria, no vale conhecido por Vilela.

Descrição – Terreno agrícola com uma reduzida área de dispersão de vestígios cerâmicos (tegulae e imbrices).

 

 

19-

Designação – Sítio da Fonte Velha

Tipo de Sítio – Indeterminado 

Período – Romano

Local – Freguesia de Inguias, perto do cemitério da aldeia de Carvalhal Formoso.

Descrição – Terreno agrícola, com uma pequena área de dispersão de diversos vestígios cerâmicos (tegulae e imbrices) e escórias de estanho à superfície.

 

 

20-

Designação – Sepulturas da Senhora da Estrela

Tipo de Sítio – Sepulturas

Período – Medieval

Local - Senhora da Estrela, Inguias

Descrição – Conjunto de duas sepulturas antropomórficas escavadas num afloramento granítico, dispostas perpendicularmente e distando entre si, 50 cm. Conservam-se inteiras, mas sem tampa. A sepultura com a cabeceira orientada a noroeste (330º) é trapezoidal, possui a cabeceira ovalada, e apresenta de largura máxima 63 cm e miníma 39 cm. O comprimento ronda os 165 cm.

 A sepultura com a cabeceira orientada para sudoeste (245º) é subtrapezoidal, com cabeceira trapezoidal, com uma largura máxima de 70 cm e mínima de 33 cm, e 167 cm de comprimento.

 

 

21-

Designação – Povoado da Senhora da Estrela

Tipo de Sítio – Povoado

Período – Indeterminado – Pré-história /romano

Local - Senhora da Estrela, Inguias

Descrição – Povoado pré-histórico e possível casal agrícola romano. Foram recolhidos no local materiais líticos bem quartzo, e uma lasca de sílex não trabalhada. Do período romano, são visíveis à superfície cerâmica de construção, cerâmica comum e escória de fundição.

O sítio localiza-se numa encosta suave, na margem esquerda da Ribeira dos Trigais. Os vestígios são visíveis à superfície, numa extensão de 2 ha.

 

 

22-

Designação – Sepultura das Terras da Ribeira

Tipo de Sítio – Sepultura

Período – Medieval

Local – Terras da Ribeira, Senhora da Estrela, Inguias

Descrição – Sepultura antropomórfica isolada, escavada num afloramento granítico. Conserva-se inteira e sem a tampa. A cabeceira possui uma orientação de 220º sudoeste. A sepultura é trapezoidal, com cabeceira rectangular, possuindo de largura máxima 52 cm e mínima de 40 cm.

 

 

23-

Designação – Sítio do Chão Novo

Tipo de Sítio – Indeterminado 

Período – Romano

Local – Freguesia de Inguias, próximo dos Trigais.

Descrição – Pequena área agrícola, com diversos vestígios cerâmicos (comum e de construção), vidros e escórias.

Coordenadas – UTM 29TPE 46, 2 / 67, 5

 

 

24-

Designação – Sepulturas da Capela de Nossa Senhora da Estrela

Tipo de Sítio – Sepulturas

Período – Medieval

Local – Nossa Senhora da Estrela, Inguias

Descrição – Conjunto de duas sepulturas escavadas num afloramento granítico, afastadas cerca de 50 cm. Conservam-se inteiras, mas sem tampa. Possuem a cabeceira orientada a 300º noroeste. A sepultura localizada mais a Norte não é antropomórfica, é sub-rectangular, com uma largura média de 40 cm e comprimento máximo de 185 cm.

A sepultura localizada a sul é antropomórfica, sub-rectangular, e apresenta cabeceira trapezoidal. A largura mínima ronda os 50 cm, e o comprimento 187 cm.

 

 

25-

Designação – Casal do Chão do Lameiro I

Tipo de Sítio – Casal

Período – Romano

Local – Chão do Lameiro, Inguias

Descrição – Provável casal agrícola, de onde provém cerâmica de construção romana, escória de fundição e cerâmica comum.

 

 

26-

Designação – Casal do Chão do Lameiro 2

Tipo de Sítio – Casal

Período – Romano

Local – Chão do Lameiro, Inguias

Descrição – Provável casal agrícola. À superfície detectou-se cerâmica de construção romana, cerâmica comum e escória de fundição de estanho.

Situa-se na encosta norte do vale da ribeira de Trigais.

 

 

27-

Designação – Casal do Cabecinho do Santo

Tipo de Sítio – Casal

Período – Romano

Local – Cabecinho do Santo, Inguias

Descrição – Provável casal agrícola. À superfície detectou-se cerâmica de construção em abundância e escória de fundição de estanho.

Situa-se na margem direita da ribeira de Trigais.

 

 

28-

Designação – Convento de Nossa Senhora da Esperança

Tipo de Sítio – Convento

Período – Moderno

Local – Serra de Nossa Senhora da Esperança

Descrição – Convento construído no século XVI, sobre eventual capela medieval. Na área interior da capela, foi identificada uma zona de enterramentos do século XVI. Na área exterior, foram identificadas várias dependências do convento: sala do capítulo, cozinha e refeitório, balcão de acesso a piso superior, lavatório, etc. O convento foi desactivado devido a um incêndio no século XVIII, subsistindo apenas a capela.

 

 

 

29-

Designação – Torre de Centum Cellas

Tipo de Sítio – Villa

Período – Romano / Medieval Cristão

Local – Colmeal da Torre

Descrição – Trata-se de um edifício cuja estrutura é essencialmente romana. Foi reaproveitado coomo atalaia durante a Idade Média. Os restos do edifício elevam-se cerca de 12 metros de altura e estão distribuídos por três pisos.

A torre não se encontra isolada, mas sim inserida num maior e mais complexo conjunto de estruturas, que se desenvolvem a partir da torre, que parece ser o núcleo central de todo o conjunto, que compreendem salas fechadas, corredores, espaços abertos ou pátios.

A torre, na sua planta primitiva, deveria ter apenas rés-do-chão e primeiro andar, tendo a toda a sua volta um varandim, cujo telhado era suportado pelas paredes 2 e 9 nos lados poente e nascente e pela parede 19, associadas pilastras.

A construção deste monumento podemos situá-lo no século I. Sofreu um incêndio e uma grande destruição nos finais do século III, inícios do século IV.

Notas -  Monumento Nacional  

 

 

30-

Designação – Estação Romana da Quinta do Rei Fernando I

Tipo de SítioVilla (?)

Período – Romano

Local – Quinta do Rei Fernando, Belmonte

Descrição – A estação arqueológica encontra-se localizada num terreno inclinado, revestido de alguns afloramentos graníticos. Dispersos pelos terrenos observam-se fragmentos de cerâmica de construção (tegulae e imbrices) e cerâmica comum doméstica. Identificou-se um peso de lagar e, segundo fontes populares, no local teria sido recolhida uma inscrição, levada pela autarquia para Belmonte.

Notas – Sítio identificado pelo Dr. Marcos Osório no decorrer do acompanhamento arqueológico às obras da IP2.

 

 

31-

Designação – Estação Romana da Quinta do Rei Fernando I I

Tipo de Sítio – Abrigo (?)

Período – Romano

Local – Quinta do Rei Fernando, Belmonte

Descrição – Recolheram-se alguns escassos fragmentos de cerâmica de construção, rolados e fragmentados, não associados a outros vestígios. São provavelmente provenientes do arrastamento, pela lavoura, desde a estação arqueológica próxima (Quinta do Rei Fernando I). No entanto, o mais certo é que se trate de alguma pequena estrutura edificada, isolada e associada a este assentamento romano.

Notas – Sítio identificado pelo Dr. Marcos Osório no decorrer do acompanhamento arqueológico às obras da IP2.

 

 

32-

Designação – Vestígios da Quinta do Vale da Sobreira

Tipo de Sítio – Vestígios Diversos

Período – Romano

Local – Quinta do Vale da Sobreira, Belmonte.

Descrição – Durante trabalhos de prospecção, foram identificados alguns silhares e uma coluna de granito (1,60 m de comprimento e 60 cm de diâmetro). Pela sua tipologia e pelas dimensões podem ser de cronologia romana. Não foram identificados quaisquer outros vestígios romanos associados. Poderá tratar-se de uma antiga pedreira, onde terão sido cortadas e abandonadas estas peças. A confirmar esta hipótese, identificam-se indícios de cunhas em afloramentos rochosos próximos, relativos ao corte da pedra nos rochedos circundantes ao local.

Notas – Sítio identificado pelo Dr. Marcos Osório no decorrer do acompanhamento arqueológico às obras da IP2.

 

 

33-

Designação – Achados isolados da Quinta do Velho

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Indeterminado

Local – Quinta do Velho, Maçainhas

Descrição – Foram identificados no local 4 fragmentos de cerâmica manual e a torno, dos quais apenas um apresenta forma (arranque de asa horizontal), associados a um afloramento rochoso e descontextualizados.

Notas – Podem provir do arrastamento das máquinas ou pelo escorrimento de terras de cotas mais elevadas a poente (uma área actualmente coberta de denso mato e impossível de prospectar). Sítio identificado pelo Dr. Marcos Osório no decorrer do acompanhamento arqueológico às obras da IP2.

 

 

 

34-

Designação – Casal da Tapada da Casa

Tipo de Sítio – Casal rústico

Período – Romano

Local – Tapada da Casa, Inguias

Descrição – Provável casal agrícola, tendo sido detectados materiais de construção cerâmicos à superfície. O local situa-se na encosta norte do vale da ribeira de Trigais. Os materiais dispersam-se por uma área de aproximadamente 1 há.

 

 

35-

DesignaçãoVilla da Quinta da Fórnea

Tipo de SítioVilla

Período – Romano 

Local – Quinta da Fórnea, Belmonte

Descrição – Foram detectados diversos vestígios correspondentes a uma villa romana, associados a um Mausóleo e uma necrópole, presumivelmente associada à Villa (Quinta da Fórnea 2)

 

 

36-

Designação – Castro da Chandeirinha

Tipo de Sítio – Castro / Povoado fortificado

Período – Idade do Bronze Final / Idade do Ferro

Local – Quinta da Chandeirinha, Belmonte

Descrição – No local é visível um troço de muralha em talude, constituída por terra e pedras irregulares. Foram identificados à superfície, no interior do recinto amuralhado deste povoado, alguns fragmentos de cerâmica.

 

 

 

37-

Designação – Ribeira das Antras

Tipo de Sítio – Antas (?)

Período – Megalitismo / Calcolítico (?).

Local – Freguesia das Inguias, em local incerto, provavelmente perto das margens da ribeira.

Descrição – Necrópole constituída por 7 antas, registadas por Proença Júnior no início do século passado, encontrando-se já então bastante destruídas. No Museu de Castelo Branco encontram-se 6 machados de pedra polida, então recolhidos. Ainda não foi possível identificar os locais das referidas antas.

 

38-

Designação – Sítio das Ferrarias

Tipo de Sítio – Indeterminado

Período – Indeterminado

Local – Freguesia de Caria, perto da aldeia de Monte do Bispo, junto à Quinta José da Gaia, na vertente NW das Sesmarias.

Descrição – Espaço agrícola médio, com bastantes escórias de estanho à superfície, sem qualquer vestígio cerâmico associado, pelo que este local poderá ser o depósito de uma ferraria medieval, ou romana, localizada nas proximidades.

 

 

 

39-

Designação – Sepultura da Quinta da Ribeira

Tipo de Sítio – Sepultura isolada.

Período – Medieval.  

Local – Caria, Quinta da Ribeira.

 

A Quinta da Fórnea é um conjunto de ruínas romanas que remonta o século II. Localizada entre Belmonte e Caria, foi descoberta recentemente aquando da construção da A23 em 1999.

As escavações revelaram várias peças romanas, pelo que se supõe, ter sido  uma propriedade habitada por uma família e criados. Esta estava construída com várias divisões, algumas delas ainda bem definidas.

Sabia que…a Torre de Centum Cellas, perto de Belmonte, foi durante anos a fio considerado um dos mais enigmáticos monumentos portugueses? A Torre de Centum Cellas é um espaço único em toda a Península Ibérica com uma monumentalidade invulgar. Com a sua forma paralelepipédica, os seus silhares bem aparelhados e a sua altura assinalável, o edifício tem sido alvo de muitas elucubrações especulativas; desde ser construído por Incas até à construção por judeus sefarditas (os mesmos que construíram Petra na Jordânia) e isto em plena Beira Interior! Mas quase sempre os estudiosos associaram a Torre de Centum Cellas a uma edificação romana o que se veio a comprovar pelas escavações efectuadas por Helena Frade. A Estrutura da Torre de Centum Cellas A construção em cantaria granítica tem secção rectangular de 11,5 m por 8,5 m com 12 m de altura. Com três pisos e encontra-se hoje sem cobertura. No andar térreo rasgam-se vãos rectangulares, que deveriam ter sido portas, e pequenas aberturas rectangulares, de difícil interpretação. Hoje sabe-se que não foi uma mansio (estação de muda), um praetorium (o ponto nevrálgico de um acampamento militar romano) ou um mutatio (albergaria); já no século XII ela aparece na documentação com o curioso nome de cento celas, ou seja cem celas o que mostra que para além da torre poderiam existir mais edificações devidamente organizadas O que terá sido então a Torre de Centum Cellas? Temos a certeza terá sido um importante espaço de uma villa romana, rematando-a a sudoeste a ladear e a servir um grande pátio central. Até sabemos quem possivelmente a construiu –Lucius Caecelius (não ressoa aqui o topónimo Centum Cellas?) no século I d.C. rico negociante de estanho. A parte da villa escavada inclui a residência do proprietário e algumas dispensas e armazéns; terão existido umas termas e o alojamento para escravos, que poderá ter sido perdido com a construção da estrada ou de uma vinha contígua. Temos ainda hoje, vestígios de uma sala com abside e larário ou altar de veneração dos deuses Lares protectores da casa. A torre possuía um piso térreo, eventualmente destinadas a funções de armazenamento, com aberturas amplas, e um piso superior, onde se situava uma sala única, rodeada por uma varanda com cobertura em madeira e telha assente sobre colunas da ordem toscana, coberto por um telhado de duas águas, possuía em dois dos seus lados uma cimalha em frontão triangular, o que lhe conferia ainda maior monumentalidade e beleza. Todo o conjunto sofreu um incêndio no século III d. C., que poderão ter originado modificações diversas, especialmente na área da villa menos resistente. Na Alta Idade Média a torre foi aproveitada e prolongada, construindo-se um terceiro piso com fachada regular também de boa silharia com pedras de pequena dimensão. É possível que no período medieval a torre de Centum Cellas tenha tido algum papel na consolidação e defesa da fronteira oriental do reino de Portugal com o de Leão; tendo inclusivamente recebido foral de Sancho I em 1188, onde surge referenciada como Centuncelli. Em 1198 a sede do concelho foi transferida para Belmonte. Qual a função da Torre de Centum Cellas? A geometria vitruviana presente não deixa aqui de impressionar pela sua robustez, verticalidade, equilíbrio esfíngico, fazendo de facto relembrar monumentos distantes do próximo Oriente ou da América Latina de gosto Inca ou Azteca. Durante o domínio romano a torre poderia ter sido uma utilitária -torre de vigia e/ou simples salão nobre de estar, marca estética e de poder; hipótese mais remota é estar ligada a um espaço sagrado uma vez que a sua orientação é peculiar -com os ângulos dos seus cantos dirigidos para os pontos cardeais. Quer isto dizer que nos períodos de solstício as aberturas maiores deixavam entrar a luz com maior generosidade, o que parece concordar com o seu insólito ar de observatório astronómico. Lenda de São Cornélio de Centum Cellas Segundo a tradição a torre seria uma prisão, tendo sido aqui que esteve encarcerado São Cornélio, que morreu em 253 d.C., devendo-se o nome do espaço as cem celas que nele existiriam. É certo que esta lenda não passa de fantasia, no entanto, o espaço foi cristianizado na Idade Média com uma pequena capela, de que ainda existem as fundações e que desapareceu no século XVII, dedicada a… São Cornélio. Também se diz que quem fez a Torre de Centum Cellas foi uma mulher com um filho às costas. Também se dizia que na Torre de Centum Cellas havia um bezerro de ouro escondido. E o mistério dissipou-se na Torre de Centum Cellas? Apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência este monumento inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita. Pessoalmente penso que foi importante o estudo arqueológico do local, apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência. No entanto conheço muita gente que gostaria de manter a sua fantasia romântica em redor da Torre de Centum Cellas; e o leitor o que pensa desta controvérsia? Este importante monumento romano, inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita.

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