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Belmonte é um verdadeiro museu a céu aberto.

É a terra de Pedro Alvares Cabral, o descobridor do Brasil, por isso tem um moderno Museu dos Descobrimentos; é a mais impressionante localidade de criptojudaísmo da Península Ibérica - por isso tem um Museu Judaico e uma sinagoga; é terra agrícola e de boa paisagem, por isso tem ecomuseu do rio Zêzere ou o museu do Azeite; tem ainda importantes vestígios romanos com a enigmática Torre de Centum Cellas ou a villa romana da Fórnea.

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Belmonte Místico e Lendário from Belmonte on Vimeo.

A comunidade de Belmonte abriga um importante facto da história judaica sefardita, relacionado com a resistência dos judeus à intolerância religiosa na Península Ibérica. No século XVI, aquando da expulsão dos mouros da Península Ibérica, e da reconquista das terras espanholas e portuguesas pelos Reis católicos e por D. Manuel, foi instaurada uma lei que obrigava os judeus portugueses converterem-se ou a deixarem o país. Muitos deles acabaram abandonando Portugal, por medo de represálias da Inquisição. Outros converteram-se ao cristianismo em termos oficiais, mantendo o seu culto e tradições culturais no âmbito familiar. Um terceiro grupo de judeus, porém, tomou uma medida mais extrema. Vários decidiram isolar-se do mundo exterior, cortando o contacto com o resto do país e seguindo suas tradições à risca. Tais pessoas foram chamadas de "marranos", numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Durante séculos os marranos de Belmonte mantiveram as suas tradições judaicas quase intactas, tornando-se um caso excepcional de comunidade criptojudaica. Somente nos anos 70 a comunidade estabeleceu contacto com os judeus de Israel e oficializou o judaísmo como sua religião. Em 2005 foi inaugurado na cidade o Museu Judaico de Belmonte, o primeiro do género em Portugal, que mostra as tradições e o dia-a-dia dessa comunidade.

Simbolo medieval de poder municipal, era junto dele que era aplicada a justiça e anunciadas publicamente as posturas municipais e as directrizes de poder central. Representa uma prensa de azeite. Destruído no século XIX, foi reconstruído nos anos 80.

Sabia que…a Torre de Centum Cellas, perto de Belmonte, foi durante anos a fio considerado um dos mais enigmáticos monumentos portugueses? A Torre de Centum Cellas é um espaço único em toda a Península Ibérica com uma monumentalidade invulgar. Com a sua forma paralelepipédica, os seus silhares bem aparelhados e a sua altura assinalável, o edifício tem sido alvo de muitas elucubrações especulativas; desde ser construído por Incas até à construção por judeus sefarditas (os mesmos que construíram Petra na Jordânia) e isto em plena Beira Interior! Mas quase sempre os estudiosos associaram a Torre de Centum Cellas a uma edificação romana o que se veio a comprovar pelas escavações efectuadas por Helena Frade. A Estrutura da Torre de Centum Cellas A construção em cantaria granítica tem secção rectangular de 11,5 m por 8,5 m com 12 m de altura. Com três pisos e encontra-se hoje sem cobertura. No andar térreo rasgam-se vãos rectangulares, que deveriam ter sido portas, e pequenas aberturas rectangulares, de difícil interpretação. Hoje sabe-se que não foi uma mansio (estação de muda), um praetorium (o ponto nevrálgico de um acampamento militar romano) ou um mutatio (albergaria); já no século XII ela aparece na documentação com o curioso nome de cento celas, ou seja cem celas o que mostra que para além da torre poderiam existir mais edificações devidamente organizadas O que terá sido então a Torre de Centum Cellas? Temos a certeza terá sido um importante espaço de uma villa romana, rematando-a a sudoeste a ladear e a servir um grande pátio central. Até sabemos quem possivelmente a construiu –Lucius Caecelius (não ressoa aqui o topónimo Centum Cellas?) no século I d.C. rico negociante de estanho. A parte da villa escavada inclui a residência do proprietário e algumas dispensas e armazéns; terão existido umas termas e o alojamento para escravos, que poderá ter sido perdido com a construção da estrada ou de uma vinha contígua. Temos ainda hoje, vestígios de uma sala com abside e larário ou altar de veneração dos deuses Lares protectores da casa. A torre possuía um piso térreo, eventualmente destinadas a funções de armazenamento, com aberturas amplas, e um piso superior, onde se situava uma sala única, rodeada por uma varanda com cobertura em madeira e telha assente sobre colunas da ordem toscana, coberto por um telhado de duas águas, possuía em dois dos seus lados uma cimalha em frontão triangular, o que lhe conferia ainda maior monumentalidade e beleza. Todo o conjunto sofreu um incêndio no século III d. C., que poderão ter originado modificações diversas, especialmente na área da villa menos resistente. Na Alta Idade Média a torre foi aproveitada e prolongada, construindo-se um terceiro piso com fachada regular também de boa silharia com pedras de pequena dimensão. É possível que no período medieval a torre de Centum Cellas tenha tido algum papel na consolidação e defesa da fronteira oriental do reino de Portugal com o de Leão; tendo inclusivamente recebido foral de Sancho I em 1188, onde surge referenciada como Centuncelli. Em 1198 a sede do concelho foi transferida para Belmonte. Qual a função da Torre de Centum Cellas? A geometria vitruviana presente não deixa aqui de impressionar pela sua robustez, verticalidade, equilíbrio esfíngico, fazendo de facto relembrar monumentos distantes do próximo Oriente ou da América Latina de gosto Inca ou Azteca. Durante o domínio romano a torre poderia ter sido uma utilitária -torre de vigia e/ou simples salão nobre de estar, marca estética e de poder; hipótese mais remota é estar ligada a um espaço sagrado uma vez que a sua orientação é peculiar -com os ângulos dos seus cantos dirigidos para os pontos cardeais. Quer isto dizer que nos períodos de solstício as aberturas maiores deixavam entrar a luz com maior generosidade, o que parece concordar com o seu insólito ar de observatório astronómico. Lenda de São Cornélio de Centum Cellas Segundo a tradição a torre seria uma prisão, tendo sido aqui que esteve encarcerado São Cornélio, que morreu em 253 d.C., devendo-se o nome do espaço as cem celas que nele existiriam. É certo que esta lenda não passa de fantasia, no entanto, o espaço foi cristianizado na Idade Média com uma pequena capela, de que ainda existem as fundações e que desapareceu no século XVII, dedicada a… São Cornélio. Também se diz que quem fez a Torre de Centum Cellas foi uma mulher com um filho às costas. Também se dizia que na Torre de Centum Cellas havia um bezerro de ouro escondido. E o mistério dissipou-se na Torre de Centum Cellas? Apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência este monumento inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita. Pessoalmente penso que foi importante o estudo arqueológico do local, apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência. No entanto conheço muita gente que gostaria de manter a sua fantasia romântica em redor da Torre de Centum Cellas; e o leitor o que pensa desta controvérsia? Este importante monumento romano, inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita.

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